Schadenfreude

"Come away, o' human child! / To the waters and the wild / with a faerie, hand in hand / for the world's more full of weeping than you can understand." W.B Yeats

sábado, 1 de março de 2008

ainda sobre "educar as pessoas", não deixa de ser estranho

que um gajo que passa a vida a criticar o Estado por tudo o que ele (ou ela, ou it) faz mal se ponha aqui a escrever contra uma das coisas que ele faz melhor.

começo a ficar um bocado assustado

com a quantidade de pessoas que me dizem (a propósito do tabaco, de ópera, dos hábitos alimentares, dos programas de História, etc) que "o Estado deve educar as pessoas".

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

MSN - situações desesperadas

A diz:
e se a cena do "és como uma irmã" não funcionar
A diz:
vai ter que julgar que sou rabeta
A diz:
situações desesperadas exigem acções desesperadas

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Goodfellas'



"Oh João [Rendeiro], nós já fomos sócios, portanto... respeitinho, ok?"

Joe Berardo

don't quit your day job

tendo em conta o (inexistente) talento humorístico de João Rendeiro, é uma pena se ele tiver de abandonar o seu emprego actual.

é assim uma questão de Classe(s)

Ouvir Joe Berardo a falar e saber que se trata de um homem que acumulou milhões quase chega para fazer de mim bolchevique.

Prós & Contras

Berardo acusa Ulrich de querer "pôr-nos a todos a falar espanhol". Acho bem, pelo menos em relação ao próprio Berardo - tá visto que o português, com ele, não resultou.

Já agora...

Se um grupo de jovens de extrema-esquerda espancasse até à morte o Dr. Fernando Ulrich, seria isso considerado "crime de ódio"?

Perguntinha (II)

Dizer que os imigrantes andam a explorar os portugueses é obsceno, violento e ofensivo. Dizer que "os ricos" andam a explorar "o povo" é o quê?

Perguntinha

Nas salas de chuto pode-se fumar?

(Por acaso, acho bem que não se possa. Os drogados saudáveis não têm nada que apanhar com o fumo dos outros)

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Sobre esperas, um post pessimista

Estar à espera

Diz-se muitas vezes que certas coisas só nos acontecem quando menos as esperamos. O problema é que, como é óbvio, passamos logo a não estar à espera, na esperança de que nos aconteçam - o que no fundo vai dar ao mesmo.

Alguém me explique isto, sff

Diálogo com a minha mãe:

Mãe: "Olha lá, conheces alguém chamado Ana F. (nome fictício) ?"
Eu: "Não sei, mas não estou a ver quem seja."
Mãe: "É que apareceu-me uma pessoa com esse nome no MSN e eu pensei que fosse alguma amiga tua enganada. Ela diz que tem doze anos..."

Pergunta

Será que a capacidade de Gostar dos outros é como um músculo que acaba por se atrofiar se não for usado?

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Bob Marley* redux

you can fool all the people sometimes, and you can fool some people all the time.



(*) Ou Lincoln, consoante as referências culturais de cada um.

sábado, 15 de setembro de 2007

Priceless

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

É possível que tenhas passado por cá a ver se eu tinha escrito alguma coisa sobre isso. Mas eu não sei escrever sobre isso.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

a boa paisagem desenha-se de longe

dantes, achava que tinha perdido tempo precioso na minha relação com os meus amigos. Hoje, parece que o tempo que passei longe acabou por me dar um insight que nunca tinha tido sobre eles. Se dantes vivia na face do cubo, agora olho-o na palma da mão.

ao contrário do que pensei neste último ano, até valeu a pena. Só por isto.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

infelizmente

nem sempre tenho estado à altura, e cheira-me que isto já não vai lá com cálcio.

criadagem

Z. não tinha amigos, tinha meia dúzia de pessoas que impediam que se sentisse sozinho. No fundo, criadagem.

fazer a cama

se é verdade que tendemos a deitar-nos na cama que fazemos, não deixa de ser um facto que há por aí quem seja competentíssimo a fazer a cama aos outros - metaforicamente - para depois se deitar nela - literalmente.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Arcticstorm


E foi assim...

sexta-feira, 13 de julho de 2007

está quase


antecipation has the habit to set you up for disappointment in evening entertainment but...

quinta-feira, 12 de julho de 2007

comigo não foi

Leio na capa de uma revista que metade das mulheres portuguesas já tiveram pelo menos um one night stand. Claramente, ando a dar-me com as mulheres erradas.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Do valor das coisas

Hoje, aí por volta das 16:30, junto ao meu avariadíssimo carro:

Sr. do Reboque: "Então e tem alguma coisa de valor dentro do carro?"

Eu: "Tenho alguns livros."

Sr. do Reboque [a rir e com um ar condescendente]: "Não amigo, coisas com valor, mesmo."

domingo, 8 de julho de 2007

sexta-feira, 6 de julho de 2007

despedidas

Há uma conhecida - e óbvia - analogia entre as despedidas de solteiro e a última refeição de um condenado à morte. Acho a dita analogia magnífica, principalmente por implicar que os melhores amigos de um homem sejam equiparados ao carrasco.

a coming of age tale

A minha primeira sobrinha nasceu há uns meses, acabei o curso há uns dias e o meu irmão mais velho entrou na casa dos trinta. Há algumas horas, dando estes exemplos do passar do tempo, referi que, ao menos, os meus amigos ainda não se tinham começado a casar. Por ironia do destino, esse sacaninha, há alguns minutos encontrei C., que me falou do estado de matrimónio iminente de G. e dos seus próprios planos para, no médio prazo, lhe seguir as pisadas.
Acabou-se, estou mesmo a envelhecer. Para mais solteiro - e a engordar progressivamente. Cheira-me que vou ficar para tio.

terça-feira, 3 de julho de 2007

da importância da imagem pública

serve o presente para realçar a forma como no post anterior se utiliza, a certa altura, a expressão "espírito da época", em lugar do mais cosmopolita Zeitgeist. não é por eu achar que a malta não percebe. só não quero é que pensem que sou pretensioso. isso não, caralho. não mesmo.

coisas que já não se usam - declarações de amor

Nenhuma geração se pode orgulhar de ter inventado o amor, mas todas o configuraram a seu modo. A minha não é excepção.
De todos os hábitos que o pós-modernismo afectivo tornou obsoletos, poucos terão sofrido evolução mais curiosa do que a das declarações de amor. Em tempos tão populares, são olhadas hoje com um misto de asco e condescendência, como aquilo que se faz quando nada mais há a fazer. A malta prefere exprimir o que lhe vai na alma recorrendo a meios mais performativos, vg. aquele passo descrito, com a precisão terminológica de que só as grandes mentes são capazes, pela expressão "saltar à boca".
Os meus contemporâneos dir-me-ão que é melhor assim, que o importante é que tudo seja "espontâneo" e que, parafraseando Pessoa, as declarações de amor "são ridículas". O espírito da época dar-lhes-á razão. E eu também, pelo menos em parte.
Mas não posso deixar de referir as desvantagens. Desconfortável como era, a declaração de amor não deixava de ser um momento de autognose como há poucos. Era ali, literal ou metaforicamente de joelhos perante a vítima e alagado num suor que muitas vezes não existia fora da mente, que um tipo via do que era feito. Havia os que diziam e os que mudavam de assunto. Os que davam uma de Cícero e os que largavam uns "portantos". Os que conseguiam o que queriam e os outros. Mas era muito mais difícil, e por isso muito mais interessante, do que um simples movimento de cabeça para a frente. Ali não havia a paralisação da outra parte perante um movimento súbito - se houvesse beijo, havia mérito.
Não admira (e é aqui que chegamos à parte em que há, de facto, um raciocínio) que a prática tenha caído em desuso. Numa época em que a preocupação com um estatuto - tantas vezes ilusório - que nos esforçamos por criar faz com que evitemos a todo o custo qualquer demonstração de vulnerabilidade (e ainda mais frente àqueles de quem mais gostamos), ninguém está para se lançar de cabeça num discurso que pode acabar por representar o epitáfio da nossa imagem pública. No fundo, somos uma geração de cobardes. Afinal, só as criaturas que nunca fizeram declarações de amor é que são ridículas.

domingo, 1 de julho de 2007

anda um gajo a querer escrever coisas inteligentes e vem este cabrão dar-nos uma lição de humildade

"Porque não há
Padarias que em vez de pão nos dêem seios
Logo p'la manhã?"

Alexandre O'Neill

quarta-feira, 27 de junho de 2007

I love the sound of you walking away


"As you walk away my headstone crumbles down
as you walk the Holywood winds will howl
as you walk away the Kremlin's falling
as you walk away Radio Four is static"

Franz Ferdinand "Walk Away"

treze anos

"Her name sprang to my lips at moments in strange prayers and praises which I myself did not understand. My eyes were often full of tears (I could not tell why) and at times a flood from my heart seemed to pour itself out into my bosom. I thought little of the future. I did not know whether I would ever speak to her or not or, if I spoke to her, how could I tell her of my confused adoration. But my body was like a harp and her words and gestures were like fingers running upon the wires."

James Joyce, "Dubliners"

sabedoria popular

é bem verdade que tristezas não pagam dívidas. É igualmente verdade, e muito mais significativo, que euforias também não.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

outras OPA's (V)

OPA Bier

Parece que o Vilarinho vai mesmo vender as acções...

outras OPA's (IV)

Ontario Physiotherapy Association

Esta até dava algum jeito...

outras OPA's (III)

Online Publishers Association

outras OPA's (II)

Centro de Orientação, Pesquisa e Análise Financeira

outras OPA's

Organização para a Protecção Ambiental

pessoas e pessoas (IV)

pessoas que usam a palavra "criada" (para se referirem à senhora que lava a roupa, passa a ferro, etc) e pessoas que jamais usariam essa palavra

para uma reacção mais imediata

o (blog do) Zé faz falta

quarta-feira, 13 de junho de 2007

pessoas e pessoas (III)

pessoas que penduram a roupa do lado de fora das marquises e pessoas que, apesar de suburbanas, têm algum respeito pel' O Outro.

great expectations

a maior parte das pessoas associa o sucesso a carros de luxo, jactos privados ou mansões no Brasil. Nada contra. Mas eu sou mais modesto - o topo do mundo é olhar pela janela do quarto sem avistar uma única marquise.

domingo, 10 de junho de 2007

dia da Raça

sábado, 9 de junho de 2007

a minha nova resposta à pergunta que me fazem todas as semanas

"My significant other right now is myself, which is what happens when you suffer from multiple personality disorder and self-obsession"

Joaquin Pheonix

quarta-feira, 6 de junho de 2007

era uma vez um rapazinho

que era tão politicamente correcto que chorava de cada vez que via uma factura discriminada

terça-feira, 5 de junho de 2007

o verbo "guterrar"

Quando lhe perguntaram se o copo estava meio cheio ou meio vazio, partiu-o. Para não ter de contrariar ninguém.

antes de adormecer

vêm as ideias. As palavras certas para aquela situação, o "amanhã é que lhe digo", o plano que ainda nos vai salvar.
Mas é também a altura dos fantasmas. Os complexos, as paixões inconfessáveis, as quotidianas cobardias. É o momento em que somos assustadoramente só o que somos e é, por isso, o momento mais pessoal do dia. Por mim, posso partilhar o sono com outras pessoas, mas o momento que o antecede, esse é só meu. Até ver.

O sentido da vida

é sempre em frente

segunda-feira, 4 de junho de 2007

pessoas e pessoas (II)

pessoas que dizem "garina" e pessoas que não dizem "garina"

domingo, 3 de junho de 2007

dicotomias

Não é só a esquerda/direita que está gasta - a homens/mulheres também já conheceu melhores dias.

pessoas e pessoas

pessoas que dão o último cigarro e pessoas que não dão o último cigarro

o sexo dos anjos

não deve ser grande coisa.

o problema

não és tu, sou ele.

conselho de amigo

"You can pour your heart out after 3 o'clock, when the 2 for 1's undone the writers block"

Arctic Monkeys, The View from the Afternoon

budismo e perversidade

Schopenhauer dizia que a Schadenfreude era o "sinal de um coração perverso". Eu digo que quando Mao morreu, o Dalai Lama deve ter dado umas boas gargalhadas. Interiores, é claro.

Declaração de princípios

Com o mal dos outros posso eu bem. O meu, não sei porquê, é um pouco mais pesado.